Vila de S.Roque

1 - RETALHOS DA HISTÓRIA

Citando o trabalho monográfico do Padre Manuel Pereira da Costa, vários documentos existem a onfirmar a importância e antiguidade desta freguesia.

O mais antigo citado pelo referido padre é "uma carta de doação e confirmação desta Igreja de Vila Chã - erigida em honra de S. Pedro -, a Dídaco Zalamis, clérigo, feita por D. Gonçalo, bispo de Coimbra(?)", documento este datado de Agosto de 1121. Em anos posteriores continua a ser mencionada esta freguesia, nomeadamente numa carta de venda de uma herdade ao cabido da Sé do Porto (1211), numa carta de confirmação da Igreja de Vila Chã ao Cabido da Sé do Porto (1227), nos inquéritos (ou inquirições) ordenados por D. Afonso III (1251) e por D. Dinis (1288), numa carta de nomeação do seu pároco de nome Durando (1294), no Catálogo de Igrejas e Ordens Religiosas (1320), no documento de anexação desta freguesia de "São Pedro de Villa cham Sarrã" à de Fornos (1475), e no foral outorgado por D. Manuel I, em 1514. A partir do século XVI a freguesia aparece mencionada mas ligada à Casa do Côvo.

Segundo a divisão administrativa do século passado, S. Roque pertenceu ao concelho e comarca da Feira até 1802 e só posteriormente ao concelho de Oliveira de Azeméis, ambos fazendo parte da província do Douro.

Há pouco mais de cento e quarenta anos, S. Roque, também correntemente designada S. Pedro de Vila Chã, era uma povoação onde predominava o regime de propriedade colectiva. Ao longo da sua história esta vila tinha sido fraccionada em quintas ou herdades, havendo documentos dando conta de que em 1807 existiam cinco: a de Bustelo, a de Vila Chã, a de Costa Má, a do Corvo (actual Côvo), e a de Samil.

Quando abandonadas pelos seus senhores que preferiam viver nas cidades, estas quintas ficavam sob a administração de caseiros ou pessoas de confiança do proprietário. Mesmo assim grande parte das terras da freguesia permaneciam comunais, ou seja, encontravam-se na "fruição dos povos" para a pastagem do gado, etc.

Em 1878 foram divididos os baldios existentes, em 260 parcelas que, por sua vez foram, por sorteio, distribuídas pelas famílias residentes na povoação, tendo prevalecido o critério de "fogo civil". Segundo o recenseamento desse ano existiam na freguesia 1026 pessoas as quais passaram a ser "proprietárias" duma parcela de terra embora tivessem que pagar um foro anual à "Junta da Parochia". A "novidade" desta medida era que a parcela ficaria sempre na posse da proprietário ou seus herdeiros, desde que pagassem o foro, ou seja, o direito àquela parcela de terreno era transmissível de geração em geração, podendo, inclusive ser cedido ou vendido pelos foreiros.S. Roque era uma freguesia quase exclusivamente rural, e até "atrasada" em relação às restantes freguesias limítrofes e até de todo o concelho, presumo que devido ao isolamento resultado da falta de acessos.A principal actividade económica era, como já foi referido, a agricultura. As única fábricas existentes eram a Fábrica de Vidros do Côvo (1520-1924) que empregava, em 1886, apenas 36 operários, 6 rachadores de lenha e 4 mulheres, a Fábrica de Vidros de Bustelo (1898-1970), que é assimilada pelo Centro Vidreiro a partir de 1930, e a Fábrica de Curtumes. Qualquer uma destas fábricas empregavam um número reduzido de pessoas.As produções dominantes, nos finais do século XIX,eram o milho, o vinho verde, o trigo, centeio, feijões e azeite. Os lavradores também engordava muitos bois que vendiam para Lisboa e Inglaterra.

A paisagem humana sanroquense era composta por lavradores remediados, lavradores pobres, jornaleiros, criados, artífices (canastreiro, barbeiro, serrador, pedreiro, carreteiro, carpinteiros, moleiros), operários (vidreiros, sapateiros, chapeleiros) e comerciantes. Para ajudar no seu próprio sustento, tanto alguns lavradores remediados como os pobres, vendiam o leite, criavam as galinhas, teciam para vender, vendiam peixe, assavam castanhas).Figuras mais do imaginário que do quotidiano da povoação, viviam, pelo menos desde o século XVI,na Quinta do Côvo, os proprietários da quinta tendo dois deles obtido o título de "Conde". Desde então sempre foram designados pelos "Condes do Côvo" ou Senhores do Côvo. Foram sempre os proprietários da quinta e Fábrica de Vidro do Côvo. Administravam a fábrica, e eram donos de extensas matas. Conviviam com pessoas da corte e organizavam caçadas nos seus terrenos. Em 1918, cento e dezasseis das duzentas e sessenta parcelas aforadas, foram compradas por 34 proprietários, na sua grande maioria de S. Roque, contra o pagamento à então "Junta Parochial Republicana", de 20 anuidades do foro. Pode-se, por estas circunstâncias afirmar que assim nasceu um outro estrato social em S. Roque: o grande proprietário, dono de várias parcelas por si administradas.Muitos homens e rapazes deixaram o campo e emigraram principalmente para o Brasil. Não pertencendo a nenhum deles mas oriundo de um dos estratos mencionados, deverão incluir-se estes "brasileiros", que para a concretização de muitas obras, concretamente a escola das raparigas, restauração da Igreja Matriz.

O fluxo migratório continuou a aumentar partir deste período, bem como a procura de emprego em indústrias existentes nas freguesias vizinhas Entre 1878 e 1919 a população manteve-se estática. Só a partir de 1930, a população de S. Roque aumentou de uma forma significativa e sustentada até aos dias de hoje, com o aparecimento de pequenas fábricas de sapatos, a fábrica de vidro em Bustelo (pertença, nesta data, do Centro Vidreiro), fixando grande parte da população operária. O perfil da população sofreu uma grande transformação à medida que o campo foi trocado pela fábrica como meio de sustento. A qualidade de vida, em termos de alimentação, escolaridade, cuidados de saúde, etc.não deixou de ser desastrosa até meados do século XX.

Actualmente, a freguesia de S. Roque, concelho de Oliveira de Azeméis, distrito de Aveiro, pertence à província da Beira Litoral. Ocupa 8,26 Km2 de área. Elevada a Vila em 30 de Junho de 1989, conta com aproximadamente 7000 habitantes, sendo a terceira freguesia mais povoada do concelho de Oliveira de Azeméis. A agricultura para autoconsumo e subsistência é quase inexistente. Desde o dia 16 de Julho de 1999 está geminada com a vila francesa de Sourzac, município de Mussidan. A emigração fez-se na sua maior parte em direcção a França, Estados Unidos da América, Suíça, Alemanha.Tem três centenas de indústrias de pequena e média dimensão. Desde 1930 que a indústria vidreira se deslocou para outras freguesias, prevalecendo actualmente as do calçado (59%), cobres e moldes (6%) e comércio (17%).Conta com inúmeros serviços: Lar de Idosos e Centro de Dia, Unidade de Saúde, Posto e Estação de Correios, farmácia, banco, bombas de gasolina, restaurantes, padarias e lojas de comércio.
No que se refere à educação tem dois jardins de infância da rede pública e um Centro Infantil, três escolas do ensino básico estando prevista a construção de uma escola do 2º e 3º ciclos. Existe também uma policlínica.

No plano cultural conta com as associações recreativas e culturais “A Chama”,“Renascer” e Grupo “Cantares de S. Roque”.O Grupo Desportivo de S. Roque e o Sporting Clube de Bustelo dedicam-se à modalidade do futebol, nas categorias de jovens e seniores. O Clube de Caça e Pesca do Cercal e a Secção de Pesca do S.C. Bustelo dão alento a modalidades como a caça e pesca. A columbofilia é uma modalidade muito acarinhada pelos sanroquenses, contando a freguesia com a Sociedade Columbófila de Vila Chã e a Associação Columbófila do Distrito de Aveiro (sede distrital).



2 - PATRIMÓNIO

No campo religioso existem a Igreja Matriz construída em 1590/91 era pároco da freguesia o abade Melchior Baptista, a Capela Velha de Santo António, aberta ao público em 1881, no lugar de Bustelo, a Capela Nova de Santo António, no lugar de Bustelo, construída em 1966 (em terreno cedido pelos senhores do Côvo), Capela de Nossa Senhora das Dores, mandada construir, em 1909, pelo pároco da freguesia, Padre Joaquim José da Costa, em Samil e a Capela do Côvo, construída em 1862, consagrada a Nossa Senhora da Conceição, sendo que nestas três últimas não se celebra o culto. Existiu ainda uma outra, dedicada a Santa Ana, edificada em 1769, em Vila Chã por António Francisco da Silva e que foi demolida, por volta de 1920, para construção duma casa particular, ainda existente nos dias de hoje.
A Quinta do Côvo situada no limite sudeste da freguesia, compõem-se de grande casa de habitação com capela, edifício da fábrica do vidro (já quase totalmente demolida), casas para trabalhadores, terrenos de cultura e vasta mata, ocupando terrenos de quatro freguesias, S. Roque, Pindelo, Ossela e Oliveira de Azeméis. A casa de habitação, a capela, a fábrica formaram, em tempos, uma povoação ou aldeia.

O fabrico do vidro iniciou-se em 1528 mas até aos finais do século XVIII foi acanhado e rudimentar. Em 1792 iniciou-se um período de notável incremento e prosperidade que durou pouco tempo. No início do século XX, foi definitivamente parada a laboração da fábrica do vidro, dando às instalações um novo destino ligado às explorações agrícola e pecuária. É actual proprietário o Sr. Manuel Paulo de Castro e Lemos que casou em 1918 com D. Maria de Lancastre e Távora, de quem teve 5 filhos.

Segundo a Plano Director Municipal de Oliveira de Azeméis, S. Roque tem ainda classificado o Edifício do Sindicato Nacional dos Operários Vidreiros, os antigos escritórios da fábrica do vidro, ambos no lugar de Bustelo. Como património classificado está também o núcleo urbano do eixo Igreja / Cemitério e o núcleo urbano de Samil.

A Vila de S. Roque é actualmente a freguesia mais importante do concelho, em termos de dinâmica demográfica, apresentando um índice de crescimento de 18% (Censos 1991) e de 5.5 % (Censos 2001).


Info gentilmente facultada por:
Maria Teresa Leite
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