
Fundada em 1994 por escritura lavrada no Cartório Notarial de S. João da Madeira, no dia 23 de Maio do referido ano, tendo comparecido, em representação de "A Chama", Amaro Manuel Henriques Valente da Costa, Maria Fernanda Doudinha Costa Quintino e Dionísio Xará de Pinho.
A Associação foi criada por iniciativa dos seguintes cidadãos:
| Amaro Manuel Henriques Valente da Costa | Sérgio Augusto Tavares Amorim |
| Maria Fernanda Quintino | João Luís Leite da Costa |
| Dionísio Xará de Pinho | Helder Martinho Valente Simões |
| Bernardo Amaro Moreira Simões | Pedro Ribeiro Soares de Andrade |
| Almiro Almeida Santos Ferreira | Viriato da Silva Pereira Correia |
| Odeta Leopoldo Barros Leitão Costa | Elvira Xará da Costa |
| Armanda Fernandes Amorim | Joana Patricia da Costa Barbosa Quintino |
| Laurinda Oliveira Leite | Vítor dos Santos Costa |
| Maria Isabel da Costa Leite | Joaquim Alves da Costa |
| Maria Clara Pinho Baptista | David Martins |
| Maria Alice Valente da Costa | Oscar de Aguiar Barbosa Quintin |
| Maria Armanda dos Santos Valente | Maria Mabilda Soares Santos Ferreira |
| Anália da Costa Henriques Castro | Filipe A.da Costa Barbosa Quintino |
| Rosália Maria da Costa Xará | Domingos Henriques Rebelo |
| Rosa Maria Valente Noronha | Salvador Jesus Gomes da Silva |
| Manuel da Silva Valente | Maria Rosa de Almeida Santos |
| Maria Fernanda Jesus Valente | Pedro Pinto da Fonseca |
| Manuel António Tavares Amorim | Ana Rita Leitão Valente da Costa |
| Cidália Maria da Silva Tavares | Joana Filipa Leitão Valente da Costa |
| José Angelo da Silva Pinho | José Manuel Almeida Ribeiro |
| Sebastião Vieira da Silva | Maria Emília Xará de Pinho |
| Orlando Bessa da Rocha | Fernando José Penin Pires |
e muitos outros que entretanto se juntaram a estes para tornar possível a concretização deste projecto. A Associação conta, actualmente, com quase 300 sócios.
Conforme referido nos estatutos, e publicado no Diário da República, III Série, n.º 267 de 18 de Novembro de 1994, a "Associação tem por finalidade promover e realizar actividades recreativas e culturais, sem fins lucrativos, e o seu objecto é promover actividades no âmbito do desporto, música, exposições, teatro, antiguidades, folclore, biblioteca, fotografia, turismo, ocupação dos tempos livres e outras de carácter recreativo e cultural".
Para a concretização destes projectos temos podido contar com apoio de várias instituições: INATEL, IPJ, Governo Civil de Aveiro, Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Junta de Freguesia de S. Roque e de todos os associados.
A 12 de Março de 2000, data da tomada de posse dos corpos sociais eleitos para o triénio 2000-2002, foi inaugurada a sede da Associação, sita na Rua José Saramago, com a presença do presidente e vereadores da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, dos membros da Assembleia e Junta de Freguesia e demais convidados e sócios.
Integrado na Associação Recreativa e Cultural de S. Roque "A Chama", foi fundado em 1994 e desde então tem vivido para a recolha e defesa da memória colectiva do povo, da sua história e da sua identidade. Em Maio desse ano reuniu-se um grupo de pessoas na escola EB 1 da Igreja com o objectivo de formar, pela primeira vez em S. Roque, um grupo folclórico.
Nesse mesmo dia ensaiou-se uma moda que as pessoas mais idosas presentes recordavam com saudade "Alargai-vos raparigas". Começava, assim, o trabalho de recolha das danças que o Rancho iria perpetuar.
Várias reuniões depois, o Rancho Folclórico "A Chama" viria a estrear-se no dia 16 de Julho desse mesmo ano trajando a rigor.
Apresentaram-se os trajes dos ofícios mais representativos da nossa região: o vidreiro, o sapateiro, a galinheira, o barbeiro e a leiteira; os vários estratos sociais: criados, jornaleiros, o lavrador remediado e pobre. Não faltaram os trajes usados em ocasiões especiais: os romeiros, os noivos remediados, o serandeiro.
Estava alcançado o primeiro objectivo: quebrar o gelo contrariando o individualismo que se vive nesta terra. "A Chama" nasceu para preservar os usos, costumes e tradições da terra, nomeadamente a dos arraiais ao ar- livre. A adesão foi grande e o entusiasmo contagiante. Começava nesse dia a verdadeira responsabilidade: não se podia deixar cair este sonho de alguns nem deixar esmorecer a alegria de todos.
Norteia a este grupo o propósito de preservar as raízes culturais, porque entendemos que se deve aproveitar a experiência do passado para melhorar o presente e encarar o futuro com mais esperança e optimismo. É o contributo para que o Rancho seja um museu vivo do seu povo, usos e costumes.
O Rancho Folclórico "A Chama" tem participado em várias festas e romarias bem como em festivais nacionais. No âmbito da geminação de S. Roque com a vila francesa de Sourzac, deslocou-se a Sourzac, município de Mussidan, em França, em Outubro de 1998 para representar a nossa vila. Tem representado o concelho de Oliveira de Azeméis em feiras nacionais de artesanato. Anualmente organiza uma Noite de Folclore e organizou desfolhadas e esfarrapadas.
Nos primeiros quatro anos o ensaiador/director técnico foi Levi Moreira da Costa, residente em S. João da Madeira, que orientou o grupo quanto aos trajes e danças. Sobretudo ensinou a procurar a autenticidade.
A partir de Setembro de 1998, um elemento do próprio grupo foi convidado a assumir a direcção do mesmo. Desde então tem-se trabalhado, na medida das disponibilidades, nas recolhas e na consolidação do Rancho. Dirigir um grupo de 40 pessoas torna-se complexo uma vez que só se poderá avançar gerindo muito bem essas 40 vontades. A nossa preocupação tem sido sempre a de, em qualquer decisão importante, reunir o consenso de modo a que as diferentes vontades possam convergir para o mesmo objectivo.
O Rancho, sendo uma das vertentes da Associação "A Chama", tem, no entanto, total autonomia sempre que o interesse do grupo esteja acima dos interesses particulares. O responsável tem, a seu lado, um grupo de trabalho de três elementos entre os quais são divididas as tarefas.
A tocata é composta por oito elementos distribuídos pelos seguintes instrumentos: concertina, viola braguesa, violão, cavaquinhos, ferrinhos e bombo. Segundo averiguações feitas, a concertina era muito rara, sendo as tocatas, no período a que nos reportamos, constituídas maioritariamente por instrumentos de corda. Para já, o Rancho irá continuar com a concertina, uma vez que não tem instrumentos de corda suficientes para uma apresentação condigna.
O coro é composto por nove elementos, dois dos quais solistas. Dançadores homens são doze e mulheres, nove. Figurantes tem o serandeiro e três crianças.
As recolhas apresentadas foram efectuadas em momentos diferentes e por diversos elementos do grupo, ao longo destes seis anos de existência.
Festas e romarias frequentadas pelas pessoas de S. Roque eram a Santa Eufemia, em S. Pedro do Paraíso (Castelo de Paiva); Senhor da Pedra; a Senhora da Saúde (Castelões, Vale de Cambra); Senhora do Desterro (Arada, Ovar); Nossa Senhora dos Milagres (S. João da Madeira); Nossa Senhora da La-Salette (Oliveira de Azeméis); Senhor da Piedade (Furadouro, Ovar); Santa Luzia (Cucujães); e Senhora de Matosinhos. Nesta festas dançava-se, cantava-se, comia-se e, sobretudo, namorava-se. Levavam o farnel com carne de porco, bolinhos de bacalhau, rabanadas, boroa e vinho.
Claro que nem toda a gente ia a todas as romarias, cada um ia às que podia, ou àquela onde tinha feito a promessa. Às romarias mais próximas iam a pé, ao Furadouro iam de carro de bois e à Sr.ª de Matosinhos iam de comboio, a partir de Ovar.
Quanto aos trabalhos agrícolas no final do século XIX, já só as desfolhadas e as vindimas eram objecto de aglomeração de pessoas e terminavam em festa. E mesmo estas eram organizadas por um número reduzido de famílias. Contam-se como célebres as desfolhadas do "Bispo", onde acorria um senhor de Arrifana - o "Guilhadães"- que tocava viola como ninguém. As desfolhadas "do resto" terminavam com boroa, vinho, castanhas e muita música e dança.
Estas cantadas cantavam-se nas desfolhadas, a lavar a roupa no rio, nas lides no campo, nas romarias. A diferença entre elas é que algumas eram dançadas e outras eram só cantadas.
| Fui à Senhora da Graça | Farol de Aveiro |
| Fui ao pomar às laranjas | Tomé Rabelo |
| Fui à fonte dos amores | Quero ir à romaria |
| No alto daquela serra | Aí vem o luar |
| Detrás do laranjal | Ora viva a pândega |
| Ó ferreiro casa a Micas | Agora é que pinta o bago |
| A minha saia velhinha | O meu amor e o teu |
| Ó Rosa arredonda a saia | Viva o patrão desta casa |
| Ó minha larica verde | Sapateiro de Amarante |
| Ó Laurindinha | Água leva o regadinho |
| Cana Verde | |
| Rusga de Saudação / Despedida | Ilda | |
| Alargai-vos Raparigas | Primavera | |
| Vão as Madamas ao meio | O Chapéu do meu João | |
| Ciranda | Oh, que lindo par eu levo | |
| Rolinha | A carrasquinha | |
| Encadeia | Malhão | |
| Cana Real das Canas | Pastorinha | |
| Moda Nova | Lambão | |
| O Aveiro | O Tareio | |
| Tirana da roda | Vira em coluna | |
| Vira espanhol | Vira de cruz | |
| Vira de quatro | Vira valseado | |
| Vira corrido | Vira cerrado | |
Quando se cozia o pão, antes da massa levedar, fazia-se uma cruz na própria massa e dizia-se: "S. Mamede te levede S. Vicente te acrescente S. João te faça pão E te cubra com a sua benção"
Quando se punha os ovos a chocar, dizia-se: "S. Salvador Saia tudo pitas E só um galador"
Quando se perdia um objecto, repetia-se 9 vezes este responso e terminava-se com orações: "Para encontrar as coisas perdidas, roubadas, guardar vidas. Bendito e louvado Santo António Que, sol brilhante em Lisboa e em França Mais rutilante que o Monte Sinai O seu senhor Breviário acharia Em cima de Jesus vivia, Três coisas lhe pediria: O perdido, achado, O esquecido, lembrado E o vivo guardado."
| "Padre Nosso Pequenino |
| Sete Anjinhos vêm comigo |
| Sete livrinhos a rezar |
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| O Senhor é meu padrinho |
| Que me faz a cruz na testa |
| Pró pecado não impeça |
| Nem de noite nem de dia |
| Nem ao pino do meio dia |
| Já os galos cantam, cantam |
| Já os anjos se levantam |
| Já o senhor está na cruz |
| Para sempre amem Jesus." |
Conforme foi já referido antes, na paisagem humana de S. Roque existia o "brasileiro". Julgo que não seria errado fazer mais pormenorizada recolha do seu traje e hábitos e incluir esta personagem no grupo. O mesmo poderia ser feito em relação a outros personagens como a peixeira, a tecedeira, os comerciantes, com seus adereços próprios. Os Condes do Côvo mereciam também, pela sua ligação ao nascimento da indústria do vidro, um estudo pormenorizado e até representação no rancho.
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| Corpos Sociais | | Rancho Folclórico | | Cantadas | | Modas | | Rezas |
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