UNIVERSO DA FILATELIApor Nöel de Vasconcelos Barbosa |
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ALBINO LUCIAN I S.S. Papa João Paulo I ( 1912 - 1978 )
ARGENTINA ANO: 1979 Yvert nº.1196
Filho de um operário socialista, formou-se em Teologia e foi professor de um seminário, Bispo de Via Venetto e Patriarca de Veneza. Foi eleito para substituir Paulo VI, em Agosto de 1978, e foi assassinado 33 dias depois. Presidente do Banco de Ambrósia, O Papa do sorriso, dizia verdades profundas a sorrir. Antes de ser assassinado tinha composto um discurso em que declarava que “Nenhum departamento. nenhuma congregação, nenhum sector será excluído” de declarar as sua contabilidade, pois que sendo a Igreja universal, o Vaticano não tinha dinheiro. O Secretário do Banco de Ambrósia suicidou-se. João Paulo aparece morto no seu leito. A certidão de óbito declara que morreu de enfarte cardíaco. João Paulo I, sofria de tensão baixa. Os medicamentos que estariam à sua cabeceira desapareceram. A Freira que o acompanhava foi obrigada ao voto de silêncio. Albino Luciani foi embalsamado 12 horas após a sua morte, quando a lei italiana briga ao dobro do tempo, quando os Papas ficam em câmara-ardente pois mais de vinte e quatro horas. Luciani tinha um sonho revolucionário” que não agradaria a muitos dos instalados, dos comprometidos. Nenhum dos Monsenhores fez declarações à Polícia italiana, foram proibidos de o fazer pela Cúria do Vaticano este é artigo de «MAIS» n.º. 171 de 19 de Junho de 1985: 6 SUSPEITOS NA MORTE DE JOÃO PAULO I:
REVISTA "MAIS” 19/.JUL/85 - João Paulo 1: o mais breve pontificado da História Documento Na morte de João Paulo I Crime no Vaticano? Diante de uma versão oficial pouco clara e nada convincente, a questão foi de imediato colocada: de que morreu, de facto, Albino Luciani, 33 dias depois de ter sido eleito Papa? E as suspeitas — para as quais o Vaticano nunca terá encontrado uma resposta convincente — foram-se avolumando. Sobretudo quando se soube que João Paulo I tinha ordenado um inquérito ao Banco da Igreja; preparava-se para alterar profundamente o “staff” do Vaticano (Villot, secretário de Estado, seria um dos substituídos) e desejava tomar uma posição pública de alguma flexibilidade em relação ao controlo de natalidade. A pedido de algumas figuras da Igreja. um jornalista lançou-se na investigação ao longo de três anos. E ele David Yallop e o resultado do seu trabalho, a que deu o título de “In God’s Name”, acaba de ser traduzido para português pela Dom Quixote ( “Em Nome de Deus” ). É desse livro de 470 páginas que, em colaboração com aquela editora, a "Mais” publica algumas passagens. Não, talvez, as mais importantes mas, apesar de tudo, suficientemente significativas.
Tudo aponta para que a morte de Luciani não tenha sido natural. Tudo aponta, de facto, para que tenha havido crime. Por mim não tenho dúvidas. Estou totalmente convencido de que Albino Luciani foi assassinado”.
A afirmação, feita a modos de conclusão, é de David Yallop, um jornalista inglês que se tem dedicado (com grande êxito) a trabalhos de reportagem com implicações judiciais. Acontece na sequência de uma investigação que, iniciada a pedido de algumas individualidades ligadas ao Vaticano, se viria a arrastar “ por três longos anos”.
Com a “ajuda e a cooperação activas de muitas pessoas e de muitas organizações”, Yallop conseguiu chegar ao interior de “uma secretíssima rede de corrupção que unia numa mesma teia de interesses obscuros diversas figuras de topo do mundo financeiro, político, criminal e clerical”, e concluir que Albino Luciani morreu “para que essa teia, a cuja acção se opunha decididamente, pudesse prosseguir o seu trabalho subterrâneo”. A sua morte aconteceu na madrugada de 29 de Setembro de 1978, decorridos escassos 33 dias sobre a sua ascensão ao papado com o nome de João Paulo I. As fontes oficiais do Vaticano adiantaram então como causa da morte um “enfarte de miocárdio”.
Interroga, a propósito, David Yallop: “É possível que num país com uma das mais baixas taxas de mortalidade da Europa por doenças coronárias, um homem perfeitamente saudável, cuja característica física, e tensão arterial baixa, diminuem os riscos de morte por doença cardíaca, morra de facto, de enfarte de miocárdio? Impossível que um homem que não fumava, que comia moderadamente e era abstémio, que fazia tudo o que os cardiologistas o mandavam fazer, tenha tido meramente azar? Azar, ao ponto de morrer, apesar de tomar todas as precauções do ponto de vista da saúde? Azar, apesar dos constantes exames médicos, incluindo numerosas ECGs, sem que, em 65 anos, tivesse havido o mais leve sintoma de doença cardíaca? Azar ao ponto de ser a sua morte tão repentina, tão imediata que não teve sequer tempo para tocar a campainha que estava a poucos centímetros da sua mão? Nas palavras dos professores Ruiu e Masin, dois dos peritos que consultei em Roma, “é muito, muito improvável que a morte seja tão rápida que o indivíduo não tenha tempo de fazer um gesto”.
Eram 4 e 45 da manhã quando a Irmã Vicenza, que trabalhava para Luciani desde 1959, em Vittorio Veneto, bateu à porta dos seus aposentos para lhe se vir o café. Albino Luciani “estava sentado na cama, tinha óculos postos e umas folhas de papel amarrotado na mão. A cabeça estava virada para a direita e os lábios, arrepanhados, mostravam os dentes. Não era o rosto do sorridente que impressionara milhões de pessoas, mas a expressão de agonia.
É aqui, pois, que, na opinião de David Yallop, começa uma série de questões a que jamais será possível dar-se uma resposta completa.
"A seguir a um dos mais breves conclaves da história, um dos reinados mais breves" - escreve ele em "In God's name", um volumoso volume que, editado em Abril de 1984 pela «Poetic Products», acaba agora de ser traduzido para português pelas Publicações Dom Quixote ("Em Nome de Deus"), na sua colecção "Best Sellers".
E um trabalho que, no dizer do próprio autor, não pretende ser, de modo algum, um “ataque à Fé católica em particular e à Cristandade em geral”, mas apenas “uma acusação a homens especificamente nomeados que nasceram católicos romanos mas nunca se tornaram cristãos”. David Yallop falou com cardeais, bispos, padres, freiras que trabalhavam no Vaticano, amigos e confidentes de Luciani, banqueiros, membros da Opus Dei, jornalistas, advogados, médicos.
Um deles, Giuseppe Da Ros, médico pessoal do Papa ao longo de 20 anos, havia estado com ele, no Vaticano, cinco dias antes da morte. Então, no dizer de John Mage, de John Mage, secretario particular de Albino Luciani , achou-o “de tão boa ,saúde” que decidiu passar a visitá-lo apenas de três em três semanas.
"Em grande parte devido à sua amizade pessoal com o Dr. Da Ros, poucas de pessoas se podem gabar de terem recebido mais atenção médica que Luciani: visitas semanais, depois quinzenais, durante mais de vinte anos. Cuidados médicos do mais alto nível foram seguidos por uma morte súbita e inesperada a que se segue um diagnóstico falso e a não publicação de uma certidão de óbito".
Em defesa da sua tese, Yallop refere ainda as reacções do cardeal Viilot e de Marcinkus; as “mentiras” então difundidas pelo Vaticano; a pressa com que foi feito o embalsamamento do corpo do Papa ( “cerca de 12 horas depois de ter sido encontrado” quando a lei italiana determina o dobro do tempo) ou o desaparecimento de todos os seus objectos pessoais.
“Se a morte de Luciani tivesse sido natural — escreve Yallop — as acções de Villot e as suas instruções que deu subsequentes eram completamente inexplicáveis. O seu comportamento só se compreende quando relacionado com uma conclusão específica. Ou o cardeal Villot participara numa conspiração para assassinar o Papa ou viu no quarto deste indicações nítidas de que o Papa tinha sido assassinado e decidiu prontamente que para proteger a Igreja essas provas tinham de ser destruídas.
“Na mesinha de cabeceira ao lado da cama encontrava-se o medicamento que Luciani tomava para a tensão baixa. Villot meteu o frasco no bolso e tirou da mão do Papa morto as notas sobre as transferências e nomeações. Foram fazer companhia ao frasco no bolso de Villot. O testamento foi retirado da secretária do gabinete. Desapareceram também do quarto os óculos e as pantufas do Papa. Em seguida, Villot criou para os membros atónitos da casa papal um relato perfeitamente fantasista das circunstâncias em que o cadáver de Luciani tinha sido descoberto. Impôs um voto de silêncio quanto a descoberta feita pela irmã Vincenza e deu instruções ao pessoal que, até novas indicações, a morte do Papa não fosse divulgada. Instalando-se depois no gabinete do Papa fez uma série de telefonemas”.
“Testemunhas visuais”, entretanto entrevistadas pelo autor do livro “garantem que o remédio, os óculos, as pantufas e o testamento do Papa se encontravam no quarto e no gabinete papal antes de Villot lá chegar. Depois da sua primeira visita e exame do quarto todos esses objectos desapareceram”.
Jamais “as dúvidas e preocupações de homens como Benelli, Felici e Caprio sobre a morte de Luciani” foram tomadas em consideração”.
Soube-se posteriormente que João I pretendia substituir Villot na secretaria de Estado; analisar, “num exame pormenorizado”, toda a operação financeira do Vaticano (“Nenhum departamento. nenhuma congregação, nenhum sector será excluído” — terá dito Luciani a Villot) e acabar com alguns dos princípios defendidos na “Humanea Vitae” de Paulo VI, uma encíclica que proíbe os católicos de usarem qualquer forma artificial de e contracepção. Também “a união com outros credos seria levada a cabo sem compromisso para os ensinamentos da Igreja, mas igualmente sem hesitações”. Em causa, ainda, a força o Vaticano, da Opus Dei e de algumas lojas maçónicas.
Albino Luciani, que, em Veneza, a si mesmo se descrevera como um homem pobre, habituado às coisas pequenas e ao silêncio”, tinha um sonho: “um sonho revolucionário” que não agradaria a muitos dos instalados, dos comprometidos. Entre esses Yallop refere especialmente seis nomes.
“Para provar que se deu um assassinato não é essencial provar um motivo. Mas ajuda, como confirmará qualquer oficial de polícia experiente. Sem motivo, as complicações são maiores. No que se refere à morte de Albino Luciani, existe um número assustador de motivos. Identifiquei claramente alguns deles neste livro. Identifiquei também os homens com esses motivos.
“O facto de três desses homens, Villot. Cody e Marcinkus, serem padres não os risca do rol dos suspeitos. Homens de hábito deviam estar, em teoria, acima de toda a suspeita. Infelizmente muitos deles demonstram, desde o nascimento da Cristandade, capacidade para cometerem os piores crimes.
“Villot, Cody, Marcinkus, Sindona. Gelli: cada um deles tinha um motivo poderoso.
“Poderia o cardeal Villot ter assassinado para proteger a sua posição como secretário de Estado, para proteger outros homens que estavam prestes a serem afastados e, acima de tudo, para evitar o furor que se desencadearia, indubitavelmente, quando Albino Luciani tomasse publicamente uma posição diferente sobre a questão do controle de natalidade? “Poderia o cardeal Roy, ajudado por alguns dos seus muitos amigos dentro do Vaticano, tentando agarrar-se corruptamente ao seu posto em Chicago. ter silenciado um Papa que estava a pontos de o demitir?
“Poderia o bispo Marcinkus, instalado na chefia de um banco comprovadamente corrupto, ter agido para garantir a sua permanência como presidente do IOR,?
“É possível que um destes três homens seja culpado. As acções de Villot depois da morte do Papa foram de certeza criminosas: destruição de provas. uma história falsa, a imposição de silêncio. E um comportamento que deixa muito a desejar.
“Porque é que o bispo Paul Marcinkus andava a passear no Vaticano àquela hora da manhã ? Uma investigação policial normal exigiria muitas respostas àqueles três homens, mas passados mais de cinco anos essas interrogações vitais são impossíveis. Villot e Cody morreram e Marcinkus esconde-se da polícia italiana dentro do Vaticano.
“A prova mais pertinente em defesa destes três homens não é a sua inevitável declaração de inocência. E o próprio facto de serem homens de hábito, homens da Igreja Católica Romana. Dois mil anos ensinaram estes homens a verem à distância. A história do Vaticano é a história de inúmeros Papas ansiosos por fazerem reformas e a quem o sistema aprisiona e neutraliza. Se a Igreja em geral e a Cidade do Vaticano em particular assim o desejarem podem influenciar e afectar espectacularmente qualquer decisão papal e têm-no feito.
“Quanto às mudanças que Luciano se preparava para fazer muitos dentro do Vaticano as teriam acolhido com agrado, mas mesmo aqueles que se lhes opunham com maior veemência reagiriam provavelmente de uma forma menos dramática que o assassinato. Isso não elimina Villot, Cody e Marcinkus. Coloca-os antes no fim da lista de suspeitos, deixando à cabeça Calvi, Sindona e Gelli. Algum destes homens teria capacidade para matar? A resposta breve é sim.
Quem quer que matou Albino Luciani apostou claramente que o Conclave seguinte e o Papa seguinte não iam reactivar as instruções de Luciani. Os seis homens tinham a ganhar se fosse eleito o homem certo. Algum deles mataria só para comprar um mês de tréguas? Se um homem certo fosse eleito esse mês prolongar-se-ia para o futuro. Dois desses homens, Villot e Cody, estavam numa posição óptima para influenciar o próximo Conclave. Marcínkus também não deixava de ter influência. O mesmo acontecia com Calvi, Sindona e Gelli.”
Depois de adiantar o nome dos que, na sua opinião, “beneficiaram com o crime”, David Yallop recorda, a propósito, que, com a eleição do sucessor de João Paulo I , Karol Wojtyla, “nenhuma das alterações propostas por Luciani foi implementada”: a “Vaticano SARL — diz ele — continua a funcionar, em todos os mercados”.
“Na época em que escrevo — diz, quase a terminar o seu “Em Nome de Deus” — o arcebispo Paul Marcinkus continua firme no seu posto. Foi muitas vezes dado por perdido, mas tem escapado sempre. Continua escondido no Vaticano com medo de sair e ser imediatamente preso pelas autoridades italianas. Apelou recentemente para os tribunais italianos, solicitando imunidade . E de esperar que, antes que o Ministério da Justiça italiano possa considerar a solicitação de Marcinkus, tenha acesso aos relatórios ainda secretos das negociações entre a Itália e a Cidade Estado do Vaticano. Possivelmente a informação mais extraordinária que os relatórios contêm, é a revelação que o acordo secreto criminoso entre Marcinkus e Calvi, assinado em Agosto de 1981, não era, como o Vaticano queria fazer crer, uma aberração singular de um arcebispo bondoso para com um devoto banqueiro católico. As provas agora disponíveis mostram claramente que existiam acordos ilegais e criminosos entre Calvi e Marcinkus que vêm já de Novembro de 1976. A conspiração criminosa começou já no papado de Paulo VI. Estes factos servem perfeitamente para sublinhar o que teria acontecido caso Albino Luciani não tivesse morrido. Também ainda escondido dentro do Vaticano está o colega e sócio do arcebispo, Luigi Mennini. Também escondido no Vaticano está Pelligrino De Strobel.
“Enquanto os três continuam fugidos à justiça italiana, as autoridades sequestraram todas as propriedades italianas de Mennini e de De Strobel. Todos são procurados por um vasto leque de autoridades italianas numa variedade de cidades. Outro colega ainda, que seria prontamente afastado por Luciani se este não tivesse morrido, monsenhor Donato de Bonis, secretário do IOR, está fugido dentro do Vaticano aos magistrados de Turim que estão a investigar uma fuga ao fisco de um bilião de dólares. De Bonis a quem os magistrados cancelaram o passaporte continua, como os seu três colegas, a trabalhar no Banco do Vaticano.
“O cardeal Ugo Poletti, Vigário de Roma, que Luciani queria afastar, é outro de quem há grandes provas a ilustrar a clarividência da sua decisão. Poletti foi responsável por recomendar ao então primeiro-ministro, Giulio Andreotti, que colocasse da Polícia Financeira o general Raffaele Gindice. Subsequentemente, o membro da P2, Giudice, organizou o escândalo da fuga ao fisco de um bilião de dólares, desviando somas enormes para Licio Gelli. Em 1983, o cardeal Poletti negou, indignado, ter usado qualquer influência para que Giudice obtivesse o lugar. Os magistrados de Turim mostraram então ao cardeal Vigário de Roma uma cópia da sua carta a Andreotti. Poletti continua cardeal Vigário de Roma.
“E deste modo que o Papa João Paulo II preside à Igreja Católica Romana, em Maio de 1984”. M
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